Resenha: Comer, Rezar, Amar

Autora: Elizabeth Gilbert
Editora: Objetiva
Número de páginas: 342

"Comer, Rezar, Amar" é a narrativa de uma mulher que larga tudo e vai atrás de algo que muitos de nós almejamos: o equilíbrio entre espiritualidade e prazer. Para tanto, ela passará quatro meses em cada um destes países: Itália, para aprender sobre o prazer, Índia, para aprender sobre a espiritualidade, e, por fim, Indonésia, onde um xamã irá lhe ensinar como chegar ao equilíbrio.

Li em algum lugar que gostar desse livro depende do momento que você está passando na vida, e concordo plenamente. Creio que, se você não está em um momento de reflexão, ou talvez um momento mais calmo da sua vida, irá pensar que o livro é só uma tremenda baboseira - e digo isso porque algum tempo atrás eu considerava esse livro uma porcaria. Portanto, se você não estiver em um momento pelo menos meio zen, não leia!
O livro é dividido em três partes com 36 capítulos cada, que somados, totalizam 108, um número especial, pois é o tanto de contas do japamala (colar indiano que inspirou a criação do terço). Quando li esse pequeno aviso da autora, já percebi que esta seria uma leitura especial.
A primeira parte é sobre a Itália, mais especificamente, Roma, em que a autora discorre sobre sua busca pelo prazer. Veja bem meu povo, não se trata de prazer sexual - aliás, tudo o que ela quer é distância do sexo por um bom tempo. Trata-se da busca pelo prazer de viver, de aprender, de gostar de si. Ela percebe que se não gostar dela mesma primeiro, não há como esperar que outra pessoa faça isso por você, e sinceramente, eu acho isso muito importante.
" - Parla come mangi.
Ele sabe que esta é uma das minhas expressões preferidas do dialeto romano. Significa 'fale do mesmo jeito que você come', ou, na minha tradução pessoal, 'diga como se estivesse comendo'. É um lembrete - quando você está se esforçando além da conta para explicar alguma coisa, quando está procurando as palavras certas - para manter sua linguagem simples e direta como a culinária romana. Não transforme isso em um bicho de sete cabeças. Simplesmente fale."
A segunda parte é a Índia, na qual Liz vai para um ashram - uma espécie de templo, onde você aprende a meditar e entrar em contato com Deus -, em Mumbai. Apesar de ter tudo para se tornar uma narrativa sisuda, essa é uma das partes mais engraçadas, pois meditar não é uma tarefa fácil. Lá ela busca pela paz de espírito e também aprende muito sobre o desapego. Destaque para Richard, um ex-viciado que mostra ser muito sábio e profere a minha quote favorita do livro.
"As pessoas acham que a alma gêmea é o encaixe perfeito, e é isso que todo mundo quer. Mas a verdadeira alma gêmea é um espelho, a pessoa que mostra tudo o que está prendendo você, a pessoa que chama a sua atenção para você mesmo para que você possa mudar sua vida. Uma verdadeira alma gêmea é provavelmente a pessoa mais importante que você vai conhecer, porque elas derrubam as suas paredes e te acordam com um tapa. Mas viver com uma alma gêmea para sempre? Não. Dói demais. As almas gêmeas só entram na sua vida para revelar a você uma outra camada de você mesmo, e depois vão embora."
A terceira e última parte se passa na Indonésia (Bali), onde nossa adorável protagonista torna-de discípula do velho xamã Ketut Lyer, homem curioso e muito inteligente, que a faz compreender a arte de equilibrar o prazer mundano e a transcendência divina.
"O que estou tentando fazer é trabalhar para encontrar meu próprio equilíbrio, e aqui ainda parece, pelo menos por enquanto, um ambiente propício para se fazer isso."
A autora conseguiu amarrar a história de um modo incrível. Passamos de um país à outro sem nem uma pontinha de estranhamento, pois ela soube muito bem como fazer as transições. Além disso, o livro é ótimo para aprender um pouco mais sobre a história de cada país visitado - em cada um deles Liz tirou um tempinho para visitar a biblioteca e conhecer mais sobre a região.
Sua escrita é deliciosa. De algum modo, ela consegue nos transmitir todas as suas ideias, tudo o que estava sentindo, e ainda descrever lugares e pessoas, sem nos perder ou entediar. Entendemos o que ela estava pensando, seus temores e alegrias, e ainda sentimos vontade de conhecer aqueles italianos bonitos, indianos de pele queimada e indonésios prestativos.
Porém, se você estiver a fim de uma história que te faça refletir sobre seus conceitos e ensine que certos hábitos e pensamentos fazem mal e que você deve mudá-los, vá em frente, pois o livro também ensina a encontrar pelo menos um pouco de paz interior.
Em sua jornada, Elizabeth Gilbert me deixou admirada (e, não vou mentir, com um pouco de inveja) por todo seu crescimento e pelos lugares maravilhosos que visitou. Sempre tive vontade de viajar pelo mundo, admirando paisagens e adquirindo conhecimento. Agora que li "Comer, Rezar, Amar", só tive mais certeza de que sim, vou fazer isso.
Um misto de relatos irônicos que lembram O Diário de Bridget Jones e reflexões dignas daqueles livrinhos de mensagens do Dalai Lama, o enredo tinha tudo para ser um clichê (mulher desiludida viaja e encontra o amor, quem nunca viu isso?), mas tornou-se uma história fantástica - digna dos meus mais sinceros parabéns.
PS: a história virou filme em 2010, protagonizada por ninguém mais, ninguém menos do que Julia Roberts (pretty woman, walking down the street e.e). Infelizmente ainda não tive a oportunidade de assistir, mas quando isso acontecer, podem ter certeza que vai ter post \o/

Beijos,
           Duane ♥

4 comentários:

  1. Adoro esse livro! <3
    Beeijos

    www.ataquedamodaa.com

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  2. Já comecei a ver o filme, mas não terminei. E ainda tem o livro!! OMGG, preciso me atualizar!

    bjs
    blogtrashrock.blogspot.com

    ResponderExcluir

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