Resenha: Mosquitolândia (David Arnold)

21/09/2015

Páginas: 352 | Editora: Intrínseca
"Meu nome é Mary Isis Malone, e eu não estou nada bem". Assim começa um dos melhores livros que já li, cativante e cheio de referências (incluindo O Senhor dos Aneis e Star Wars).
Mary tem uma missão: percorrer sozinha os 1.524 quilômetros entre o Mississipi (ou, como ela prefere, Mosquitolândia) e Cleveland. O motivo? Ela precisa visitar sua mãe. Desnecessário dizer que essa viagem vai mudar a visão de mundo dela né?
"E, por mais simples que pareça, acho que entender quem você é - e quem não é - é a coisa mais importante de todas as Coisas Importantes."
A narrativa é feita em primeira pessoa, alternando entre cartas e relatos da própria Mary - na verdade, ela prefere que a chamem de Mim, então vou usar o apelido a partir daqui. Me senti muito próxima da personagem, além de me identificar com sua estranheza (coisa básica).
"Sou uma coleção de esquisitices, um circo de neurônios e elétrons: meu coração é o dono do circo; minha alma, o trapezista, e o mundo, minha plateia.

Parece estranho porque é estranho, e é estranho porque sou estranha."
Durante sua trajetória, Mim encontra pessoas que a marcam muito (eu ♥ Beck | eu ♥ Walt ), e inevitavelmente, cresce. O que reforçou a minha enorme vontade de viajar sozinha. Um dos meus livros favoritos (Comer, Rezar, Amar, resenha aqui) é sobre essa temática, e a certeza de que um dia vou fazer isso é inegável. Mas, voltemos a falar sobre Mosquitolândia.
"Sempre achei que, se o amor estivesse no caminho, eu o encontraria ou capturaria - nunca achei que tropeçaria nele. Apaixonar-se é um monte de caixa de bombons e cravos, 'ele vai, ou será que não vai?', beijos desajeitados, silêncios desconfortáveis, espinhas em momentos inoportunos, conversas pelo telefone às três da madrugada. Em outras palavras, não eu. Mas agora (...)* não consigo deixar de pensar: é claro. Esta é a única maneira possível de acontecer comigo. Imperfeita. Extremamente esquisita. Rápida."
*parte ocultada para evitar spoiler

Esse é o primeiro livro de David, e eu sinceramente aguardo mais histórias dele. São poucos os autores que conseguem colocar razão e sentimento lado a lado em uma história com elementos tão incomuns. Sim, porque apesar de viagens solo estarem se transformando em um tema batido (quem nunca viu por aí um livro no estilo "viagem de auto-descoberta"?), o autor conseguiu montar uma teia com vários elementos surpresa, e o que você pensa que vai ser apenas uma viagem de ônibus cheia de ponderações dessa garota de 16 anos, se transforma numa verdadeira jornada, cheia de personagens peculiares, cenários inusitados e situações inimagináveis.
"Talvez eu reunisse a coragem para dizer aquelas palavras que tão poucas pessoas conseguem dizer: Não sei por que faço as coisas que faço. Às vezes, essas coisas não tem explicação."
Não que não haja ponderação. Obviamente, uma peça chave de viagens feitas com o "modo alone" ligado, é o tempo que se tem para pensar. E como Mim pensa! É um personagem que ganha seu coração com tamanha estranheza. Ela passou por tanta coisa que é meio impossível não querer abraçá-la e dizer que vai ficar tudo bem. Sem contar que ela é muito inteligente e possui um gosto musical dos deuses.
"Penso em como as coisas mudaram rápido para mim. Mas essa é a essência da mudança, não é? Quando é gradual, chama-se crescimento; quando é rápida, mudança. E, meu Deus, como as coisas mudam: algumas coisas, nada, outras coisas, tudo... Todas as coisas mudam."
A história possui uma linha que vai se desenrolando aos poucos, porém de modo tranquilo e envolvente. Há certo mistério, como o por quê de Mim estar fazendo essa viagem (você não pensou que fosse só o lance com a mãe dela né?), o que seriam as NOTÍCIAS BOMBÁSTICAS (assim mesmo, com caixa alta e tudo), o por quê de sua relação com a madrasta ser tão azeda, qual é a história de tal passageiro do ônibus, e por aí vai.
"Existe vida na minha vida"
Aliás, gostei muito do modo como as pessoas do ônibus (e as que ela encontra no caminho) foram retratadas, em toda sua diversidade e pluralidade (palavras bonitas pra designar um monte de gente diferente).
"Mas talvez haja um pouco de preto e branco. Nas nossas escolhas. Nas minhas escolhas."
E o que dizer dos outros personagens secundários? Walt com certeza foi uma surpresa maravilhosa, sem contar Beck e Arlene fornecendo segurança e razão quando Mim precisa. Não gostei muito do pai de nossa adorável protagonista, mas isso é um detalhe insignificante.
"Mais tarde eu entenderia que essa era a grande dicotomia: uma pessoa querer o melhor mas sempre despertar o pior. Meu pai fazia exatamente isso."
Também adorei o modo sutil do autor alertar que viagens feitas sem mais ninguém são, acima de tudo, perigosas, e que você precisa de um bocado de sorte e maturidade.
"Talvez eu nunca saiba de que armadilhas escapei, mas posso dizer, sem pestanejar: uma alma sincera é quase impossível de se encontrar."
Ah, quase ia me esquecendo: fora tudo que já citei, ainda existe toda uma abordagem de um tema difícil: problemas psicológicos e psiquiátricos. É interessante de se observar o modo como Arnold trabalhou com ele, utilizando muita sutileza e sensibilidade.
"Um minuto, uma hora, uma vida - o tempo não existe, não existem coisas. Não tenho mais coisas. Tenho só sucata, vozes gritando e morte."
Mosquitolândia te marca, porque faz refletir, rir e chorar, e no fim das contas, perceber que todos nós somos apenas humanos, e devemos respeitar um ao outro, julgando menos e dialogando mais.
"Abra os olhos e encare o mundo sem medo."
Beijos,
           Duane.
logoblog

26 comentários:

  1. Gente depois dessa resenha me apaixonei por esse livro,pelo fato que ainda não conhecia a história,e já passei por ele várias vezes na livraria,mas agora com certeza vou levar ele pra casa.
    Parabéns pela resenha <3
    Beijos
    http://nadadecontodefadas.blogspot.com.br/

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    1. Fico muito feliz em ler isso Erika <3
      Beijos.

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  2. Adorei sua resenha e o título do livro. A capa é bem vintage e retrô.

    http://www.jj-jovemjornalista.com/

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  3. Eu tenho que parar de ler resenhas de livros, eu vou á ruína desse jeito!
    Estou realmente encantada pela resenha e morrendo de vontade ler o livro. Só pelo nome e pela capa já fiquei curiosa, e agora sabendo do enredo preciso muito ler, gostei muito de saber que ele retrata problemas psicológicos, porque é um tema que eu gosto muito de ler sobre, mas vejo que são poucos os escritores que conseguem retratar a coisa como ela é.
    Adicionando ao skoob ~

    ♥ Rendas e Doces

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    1. Não pare Adália, você vai mergulhar cada vez mais nesse mundo incrível da leitura *-* haha.
      Beijos!

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  4. Que lidno esse livro. Quero muito ler agora...
    Ótima resenha!

    =*
    Mani Piñeiro

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  5. Não conhecia o livro, mas gostei da sua resenha. Fiquei interessada :)
    Obrigada por comentar no meu blog!

    http://colorful-mushrooms.blogspot.com.br

    Beijoos ;*

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  6. Oi Duane!
    Primeira resenha que leio desse livro e já desejo lê-lo imediatamente! Gosto muito da ideia de viajar sozinha.

    Beijos,
    Epílogos e Finais

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    1. Que bom Bianca <3 Me agrada bastante também :3
      Beijos!

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  7. Oii a capa é uma graça... acredito que pela sua resenha eu iria gostar da leitura...
    Estou muito querendo ler o livro comer, reza, amar...
    Beijos.
    Blog GuriasGata

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    1. É uma graça mesmo né *-* Que bom, tenta ler <3 E Comer,Rezar, Amar é lindo também *u*
      Beijos.

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  8. Oie Duane =)

    Já vi esse livro em alguns blogs, mas a sua é a primeira resenha que leio dele.
    Gostei da premissa, a história parece ser bem interessante! Dica anotada ;)

    Beijos e um bom final de semana;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
    @mydearlibrary


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  9. Eu gosto de personagens "estranhos", que tem manias e essas coisas. Acho que personagens assim, fora do comum, te dão uma visão diferente das coisas.
    Gostei desse livro!! Leria sim.

    Beiijos
    www.ooutroladodaraposa.com.br

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  10. Adorei a capa e o livro parece ser muito bom!!
    Essas quotes só me fizeram ficar ainda mais curiosa sobre ele.
    Ótima resenha!

    http://janeladememorias.blogspot.com.br/

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  11. gostei da resenha confesso que logo que comecei a ler pensei esse ser um livro daqueles clich~^es sobre viagens e tals
    fiquei curiosa pq vc disse que nao ele não é :)
    queria saber pq ela viahou de verdade... o real motivo
    colocarei na minha lista

    www.meumuraldeideias.com

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    1. Marcelle, muito obrigada por ler minha resenha <3

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  12. Fiquei morrendo de curiosidade pra saber o que vai acontecer nessa viagem hehe beijos

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