Resenha: Investigação Olímpica (Fernando Perdigão)

11/10/2016

Páginas:258 | Editora: Oito e Meio
Olá pessoas!
Vocês lembram que ano passado eu fiz resenha do livro “A Pedido do Embaixador”, do Fernando Perdigão, aqui no blog? Foi o segundo livro que resenhei em parceria com a Oasys Cultural, caramba, como o tempo passa, não é mesmo? Só tenho a agradecer pela Oasys ter sido uma das primeiras empresas a acreditar no potencial do Claramente Insana. Obrigada, de verdade

Pra quem está meio por fora dos livros da série, calma, vou explicar. O primeiro livro nos apresentou ao Detetive Andrade (ai de você se chamar ele de comissário!), um homem de fibra, que vê (e investiga) a perversidade em tudo. Andrade é um anti-herói, aquele personagem que você, se fosse dar uma de politicamente correto, iria odiar. Mas ele é tão cativante, e joga cada verdade na nossa cara, que é impossível não o amar, mesmo com todo o preconceito, jeito truculento, e, principalmente, métodos nada ortodoxos de investigação.
“A droga desse país é que a população não lê porque não sabe e não escuta porque não quer saber. Prefere se embriagar e fazer arruaça. ”
Mas não vão pensando que só o Andrade é cativante, não, viu? Em Investigação Olímpica, temos de volta os funcionários do shopping Princesinha do Mar, os meliantes/informantes Pipa e Alfinete, a empregada nordestina (e hilária) Dó, a dançarina de boate (e namorada/noiva) Suely, e, claro, a devotada assistente Lurdes. Não sei nem como expressar minha adoração por essa turma. É sério, gente. Os funcionários são os baba-ovos mais engraçados ever (e a Janete, a hater mais barraqueira do Universo). Os meliantes são tão malandros que levam até a gente na conversa. A Suely é aquela amiga leal (e louca) que adoraríamos ter por perto. Quanto à Lurdes, ficamos na torcida pra ela sair logo do armário, afinal, ela é tão gente boa que poderia muito bem ser nossa irmã! E a Dó? Gente, que mulher maravilhosa!
“ – O pastor me disse que tudo que ouço do senhor vai contar ponto pra mim lá em cima. Por isso, pode falar o que quiser.- O mais alto que você dois vão chegar é à Igreja da Penha. Se você conseguir equipamento para escalar os degraus.- Só com essa fala rá ganhei uma porção de pontos celestes. ”
Em Investigação Olímpica, Andrade é designado como “Comissário Olímpico. O policial encarregado da delegacia especial que vai cuidar de crimes nas instalações das Olímpiadas”. Sim! Esse livro foi lançado no começo de 2016 e trata das Olímpiadas do Rio (no caso, fictícia, já que a história foi escrita antes do evento real). Foi muito interessante perceber que Perdigão pesquisou (e muito) sobre o tema, já que há um detalhamento intrincado de todo o sistema. Mas que fique bem claro: esse não é um livro sobre as Olimpíadas que aconteceram nesse ano. O autor apenas pegou o gancho e construiu uma história neste cenário, portanto, não se confundam, por favor, é ficção!
“ – Vejo que você viveu muito tempo fora. Não conhece a realidade nacional. Aqui, meu jovem, quando não é drama, é tragédia. ”
Apesar disso, foi delicioso perceber a crítica em cada página de Investigação Olímpica. Como já disse na resenha do primeiro livro, os casos de Andrade são pra pessoas críticas, que estão dispostas a refletir, e acima de tudo, não levar tudo ao pé da letra, pois o autor emprega muita ironia em suas palavras (eu, como pessoa irônica que sou, adoro). Muitas vezes, durante a leitura, eu parava e ficava digerindo as palavras. Depois, conversava com a minha mãe sobre determinada passagem. Vocês entendem? É uma história tão cheia de entrelinhas que não tem como não rever alguns conceitos. Você se vê obrigado a pensar, e numa sociedade de muito mimimi, achismos e pouca reflexão, isso é maravilhosamente sensacional.
“ – O senhor é um desses? – disse Andrade.
- Desses o quê? – perguntou inflamado.
- Desses brasileiros que combatem a miséria do mundo, e visitam o Nordeste em férias. ”
Outra coisa que adorei foi o fato de sermos sugados para a investigação. Sim, sugados. Porque de início, você nem percebe o que está acontecendo (novamente, uma crítica ao sistema brasileiro, que encobre os crimes de colarinho branco). Aí, de repente, você se vê absorto, sem conseguir largar o livro, pensando em todo o desdobramento dos fatos.
“Não havia como esperar justiça de quem não tivera justiça na vida. ”
 E o que dizer do humor? Já disse e vou repetir: esse é um livro recheado de sarcasmo e ironia, prato cheio para boas risadas!
“ – Mas, chefia, vou perder o faturamento do ponto aqui.- Põe um primo inútil para ficar no seu lugar.- A clientela precisa do meu toque especial.- Toque especial é o que vai ter quando eu te inscrever de voluntário no congresso de urologia. ”
Uma notícia me deixou muito, mas MUITO animada. O autor também é roteirista, e está sendo cogitada a adaptação dos livros para série. GENTE! Imagina que incrível, uma série do Detetive Andrade? Minha cabeça já ficou a mil, pensando em atores e tudo mais. Espero, do fundo do meu coração, que esse desejo vire realidade, porque ia ser um ótimo modo de fazer mais pessoas conhecerem as aventuras do detetive mais sem-noção amado por essa blogueira que vos fala. Dica de blogueira/telespectadora/enxerida: podia ser uma websérie no YouTube! Assim todo mundo ia ter acesso ;)
“ – Um conselho, inspetora. Passar a olhar o mundo como ele é e não como contam os jornais. ”
Ah! Antes que eu me esqueça: adorei o trabalho de diagramação feito pela editora Oito e Meio. Gostei de desvendar as imagens da capa à medida que ia desvendando o mistério da história. Encontrei alguns errinhos de digitação, mas ó, dá pra contar nos dedos de uma mão, então não chegou a incomodar. As páginas são amareladas, bem do jeito que a gente gosta.


Investigação Olímpica, sem dúvida, entrou pra minha lista de melhores livros do ano. Com humor, mistério, e muito, muito sarcasmo envolto em crítica, Perdigão conseguiu fazer com que eu me tornasse ainda mais fã de seu trabalho (se precisar de alguém pra escrever a orelha do próximo livro, estamos aí o/ - pessoa cara de pau é assim mesmo, desculpa).
“ – Somos amigos desde a juventude – comentou Ana Luisa.- Fomos namorados – acrescentou Valério, como se isso pusesse Ana ao seu lado para sempre.- A juventude é a época para fazer bobagens – retrucou o detetive. ”
E aí, o que acharam? Gostaram tanto quanto eu? Vocês podem acessar a fanpage do autor aqui, e comprar o livro aqui, (se você aderiu à moda de não comprar livros físicos, sugiro que quebre esse trato pessoal, pelo menos dessa vez, porque vale MUITO a pena ter os livros do Perdigão na estante. É sério. Mesmo.).
“ – Errar é humano. Quem perdoa é Deus. Eu tomo o presente como é para construir o futuro que desejamos. ”
Beijos,
           Duane.
logoblog

2 comentários:

  1. Ah, como eu adoro anti-heróis!
    Fica tudo tão mais interessante com eles, né?
    Não conhecia o livro e a série do detetive Andrade, mas fiquei com vontade de ler.
    Amo livros policiais e sobre investigação.
    Já anotado aqui!
    E legal saber que o autor é roteirista também. Quem sabe em breve teremos boas notícias!

    Beijoooos

    www.casosacasoselivros.com

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    Respostas
    1. Sim, fica muito mais interessante mesmo!
      Lê e depois me conta ;)
      Tomara! *cruzando os dedinhos*
      Obrigada, Teca ♥

      Excluir

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