Resenha: Se o Vento Diz (José Fernando Guedes)

16/11/2016


Olá, pessoas!
Vou começar essa resenha com uma confissão: não sou muito de poesia. Ou talvez eu seja sim, mas uma leitora extremamente exigente. Sério, os únicos poetas que me agradam são o Drummond, o Bukowski e o Pessoa. Devem ter outros, mas de cabeça, não vou lembrar. Pra vocês verem como eu sou chata com essas coisas. Mas sempre é bom inovar, não é mesmo? Por isso fiquei bem curiosa pra ler Se o Vento Diz, de José Fernando Guedes.

"E mesmo no interior de cada segundo
Há suficiente espaço para se fazer o bem ou o mal
Porque é assim mesmo que acontece: o mal ou o bem
Infinitesimais, germinam e brotam no exato
Segundo onde nasceram.
Portanto o cimento da estrutura orgânica do tempo
É o mal e o bem que você e eu temos à nossa disposição."
O livro contém 50 poemas, distribuídos em 66 páginas. Bem curtinho, porém repleto de sentimentos. Em “Quando Tu”, primeiro poema, já fui fisgada.
“Às vezes, para se fazer entender
Há que se calar,
O que é outra forma de gritar”
No decorrer das páginas, José fala de lembranças, relacionamentos, e pássaros, figuras recorrentes, inclusive na capa. Obviamente o pássaro tem uma simbologia, que eu interpretei como o anseio por liberdade, descoberta de coisas novas, sentimentos mais puros, inocentes e ao mesmo tempo selvagens, já que no dia a dia a gente vive se controlando e sendo controlado.
“Meu coração é ave migratóriaE se foi, como sempre vai,Quando o céu lhe anuncia que deve irPor intrínseco impulsoQue só os corações podem terComo se aves fossemNo encalço do verão”
Vou explicar pra vocês o porquê de eu ser bem chata com poesia (e com letra de música – que também pode ser considerada poesia): tenho que sentir o que o autor sentiu, me identificar, e, principalmente, perceber a verdade em suas palavras. Se eu tiver a menor suspeita de que aquilo não é genuíno... Fecho o livro na hora. Por isso, muitas vezes, me pego pensando “credo, que porcaria”, ao ler palavras melosas demais, forçadas demais, falsas demais. E a poesia do José me conquistou porque é extremamente verdadeira.

“Eu sou o que souSe o vento diz: vaiEu vou.”
Dá pra sentir que a poesia é a válvula de escape do autor (que é neurocirurgião), e isso é maravilhoso! É tudo muito real e palpável. Linha após linha, ele mostra o lado alegre e o lado triste das pequenas coisas, sendo elas da vida dele e da vida dos outros. Me emocionei muito com Cão Aninhado, Adeus Meu Pai, Ecos, e, principalmente, Quarto de Hospital.

“Ambos se compreendem
Não falam porque é desnecessário
Respiram apenas. Continuam vivos.
E o contato quente do peito da velha
Faz o cão feliz.”

“Na despedida que eu desconhecia
Não houve amor
Houve somente meu pai olhando
Até que virei a esquina
E o esqueci.”
“O doente se deixa amar pelo raio de sol fugitivo.E ninguém compreende o sorriso que surgeNo rosto tão magroCom olhos finalmente cerrados.”
Acho que deu pra perceber, mas se não deu, eu falo: José Fernando Guedes conseguiu entrar pra minha seleta listinha de autores favoritos de poesia. Recomendo muito!


E vocês, gostam de poesia?

"Ouço o ruído de uma porta que se fecha
Outra é aberta.
O ciclo reinicia. O ciclo se encerra.
O momento vaza
Como água de uma torneira
E borrifa meus olhos."

Beijos,

           Duane.
logoblog

2 comentários:

  1. OI SHERLOCK *-*

    poesia é intrínseco a alma, né? por isso eu acho um gênero tão difícil de ser reproduzido. Demanda muito mais do que um texto qualquer (embora seja visualmente menor), tem todo um lance de musicalidade, rimas... além de, claro, precisar ser sincero pra poder realmente ter brilho <3

    também sou chatinha com poesia, viu. Igual a você, não gosto de sentimento forçado ._. nem em poesia, nem na vida, nem em lugar nenhum u.u

    beeeeeijo
    beinghellz.com

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    Respostas
    1. Nossa, com certeza, eu super admiro quem consegue fazer boa poesia, é coisa de artista mesmo!
      HAHAHAH somos duas ♥
      Obrigada :3

      Excluir

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