Como eu aprendi a ficar sozinha

10/02/2017


Era sempre a mesma coisa: quando eu precisava sair, pra qualquer lugar, tinha que ter alguém pra ir junto (até pro banheiro!). E o negócio fica ainda pior: não era só pra sair. Era pra vida. Eu precisava de vários amigos, precisava de um namorado, e, acima de tudo, precisava de muita, muita atenção. Resultado? Deu ruim, óbvio.
Enquanto eu estava no colégio, até que funcionou (bem mal, mas funcionou) porque todo mundo estava solteiro e eu não era a única que não gostava de ficar sozinha (aliás, perdi a conta de quantos crushes tive). Mas quando eu entrei pra faculdade o negócio ficou tenso.
Chega um momento da vida em que você percebe que as amizades têm fases. De repente os horários, os gostos e as vontades não batem mais. Você liga pra sua melhor amiga dizendo que vai na casa dela e ao invés de dizer “pode vir, vaca!”, ela diz “putz, desculpa, mas eu tô na casa do meu namorado”. Aí você manda mensagem pra outro amigo chamando ele pro cinema e a resposta é “não quero ver esse filme”. E pra fechar tudo com chave de ouro, o crush dá um bolo dizendo que tem que limpar a casa (pior desculpa ever). Foi isso que aconteceu comigo, pelo menos.
A reação inicial foi péssima. Passei a viver no passado. Morria de saudades de ver meus amigos todo dia, não conseguia aproveitar minha faculdade, ficava guardando mágoa dos outros e pensava que ninguém mais ia com a minha cara. Resumindo: levei pro lado pessoal e fiquei na bad. Até que caiu a ficha e eu percebi que manter esse tipo de atitude estava sendo ridículo e resolvi mudar. Mas como? Aprendendo a ficar sozinha.


Primeiro dei um rolê a pé na cidade. Achei ruim não ter com quem conversar, mas não foi aquele ruim de “nossa, que horrível”. Foi um ruim de “hm, diferente isso, né?”. Tentei mais uma, duas, três vezes, até me acostumar. Logo após isso, fui ao shopping. Não achei nada de mais. Foi um passeio meio sem sal, sabe? De novo veio aquele sentimento de “hm, interessante...”. Mas finalmente pude sentar naquelas poltronas da Saraiva pra ler sem ter ninguém enchendo o saco e tomei um sorvete ótimo, então considerei minha experiência bem-sucedida. O próximo passo foi desmistificar aquele tabu enraizado na cabeça de todo mundo: ir ao cinema sem ter companhia. Pra saber como foi você vai ter que ler esse post aqui.
Recentemente, no meu aniversário de 20 anos, fui ao cinema sozinha assistir ao filme “É Fada!”. Cara, foi incrível. Eu me senti tão feliz, tão leve, tão bem... porque mesmo sem ter ninguém ao meu lado, eu fui e me permiti aproveitar aquele momento.
Depois de tudo, cheguei a algumas conclusões. A primeira delas foi que eu não gostava de ficar sozinha porque não gostava da minha própria companhia. É absurdo, porém real e eu sei que tem muita gente que também não gosta, mesmo sem saber disso. Ficar sozinha te permite entrar em contato com pensamentos, sentimentos e atitudes enraizadas que você geralmente não quer encarar de frente. Mas, ó, conselho de amiga: uma hora isso estoura e, acredite, não é legal.
Percebi também que a maioria das pessoas tende a gostar mais de sair acompanhada por razões óbvias: é muito mais cômodo jogar a responsabilidade pros outros e ter aquela sensação de estar sendo protegida. Pensa comigo: quantas vezes você deixou de ver algum filme porque permitiu que outra pessoa escolhesse por você? Quantas vezes ficou em casa por medo de ir a algum lugar sozinha? Pelo menos uma, aposto.
Se eu pudesse te dar apenas um conselho hoje, ele seria: vai lá, enfrenta esse medo de andar por aí sozinha. Juro, vale a pena aprender a curtir a própria companhia.

E você, sai sozinha?
Beijos,

            Duane.
logoblog

6 comentários:

  1. acho que esses momentos ruins, de decepção nos ensinam a ficar só, e ser melhor com nos mesmas

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    1. Com certeza, Lívia!
      Obrigada por comentar <3

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  2. Caraca, esse post foi um tapa na minha cara - mas não num sentido ruim :p

    Eu tô nessa fase de transição, sabe? Colocando os pés na vida adulta, tentando me desapegar de certas coisas e parar de viver no passado, como você disse. Não é fácil na maioria dos dias, mas vou lidando.

    Eu comecei a sair sozinha assim que entrei na faculdade, que é bem do ladinho da Paulista, e é um desperdício eu morar numa cidade tão linda e não conhecê-la por falta de companhia. Aos poucos fui indo e me senti extremamente bem, tão bem que num desses passeios passei na fnac e comprei ingresso pro show de uma banda que eu amo e nenhum dos meus amigos gosta. O show é esse mês e eu não poderia estar mais empolgada!

    Perdoa o comentário gigante e parabéns pelo texto!

    Beijos,
    Blonde Chaos

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    1. São os melhores tipos de post, que bom que ele foi assim pra você <3
      Sei como é. Ai que linda! Que bom que você também está aprendendo a se bastar.
      Imagina, amei demais seu comentário, obrigada, de coração ♥

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  3. Du, eu te admiro tanto! Você é tão novinha e já tão madura. Muitos dos seus aprendizados eu ainda peno para ter... Essa coisa de ficar sozinha, por exemplo, é uma delas. Eu conheci meu namorado com 16 anos (vamos completar 9 anos juntos agora dia 1) e acho que isso nos ferrou um pouco na coisa de ter independência um do outro. A gente, se precisar, faz tudo sozinho e na boa, claro, mas tem algumas coisas que nem percebemos - tipo ir no cinema. Eu to querendo muito ir no cinema, ele não gosta, e eu acabo nem pensando em ir sozinha. Não tenho problema algum em ir sozinha, eu só não penso, sabe? E assim tem tanta coisa de rotina... Por isso eu me complico toda às vezes as coisas pesam, mas me dá um ruim em pensar em começar tudo de novo. Enfiiiim. Já com amizades eu consigo lidar muito bem e manter tudo sempre bem leve e aberto. Tenho que "trabalhar" no namoro, né? Hahahaha.
    Beijão, Du, e obrigada por mais esse texto incrível e inspirador. <3

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    1. Obrigada, Bruna! Ainda tenho muito a aprender, mas sinto que já tô no caminho certo ♥
      Eu imagino como deve ser. Mas tem que ir exercitando isso, é até bom pro relacionamento, né?
      Eu que agradeço pelo seu apoio e carinho de sempre ♥♥♥

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