O que é ter fé

14/04/2017


Eu sempre tive fé, mas nunca foi aquela coisa, digamos... fervorosa. Eu não rezava todo dia, raramente fazia penitência na Quaresma, quase nunca ia à igreja, enfim.
O lance é que eu acabei acreditando que ter fé estava automaticamente relacionado a seguir tradições religiosas predeterminadas. Eu realmente acreditava que não era possível me identificar como cristã, já que não participava ativamente de nenhum grupo da igreja nem frequentava certos eventos sociais. Acabou que eu meio que me identifiquei com aquele rótulo de “católica não praticante” porque eu tinha a minha fé, mas não era a mesma fé da galera da igreja.
Além disso, sempre que eu via pessoas que se diziam religiosas reparando no sapato da pessoa ao lado ao invés de prestar atenção na leitura da Bíblia, me perguntava “então isso é ter fé?”.  Fora que eu sentia horror de quem tentava enfiar a todo custo sua crença na cabeça das outras pessoas. No fim das contas, peguei certo preconceito com dogmas e cheguei ao ponto de sentir vergonha de expressar que acreditava em Deus, pra não parecer que estava impondo minha crença pra quem não era cristão.
No fundo eu sabia que queria ser uma pessoa espiritualizada, mas justificava essa vontade pra mim mesma dizendo que era uma coisa cientificamente comprovada, que a fé ia melhorar minha vida por razões racionais. Acho que já deu pra perceber que essa desculpa esfarrapada não colou, né?
Isso tudo começou a mudar em novembro do ano passado, numa viagem que eu fiz pra Aparecida do Norte/Campos do Jordão. Não foi uma viagem dos sonhos, muito menos uma viagem perfeita. Porém, foi uma experiência que me marcou de um jeito especial (tanto que um tempo depois eu publiquei aqui no blog um texto sobre uma brisa louca que tive na estrada e outro sobre quando percebido que o Mindfulness se tratava de verdade). Em alguns dias, finalmente pude entender algumas coisinhas básicas que todo mundo deveria saber.


Expressar sua fé é diferente de impor sua fé. Por exemplo: cá estou eu falando com você sobre ter fé. Pode ser que você seja ateia/ateu/agnóstica/agnóstico/de outra religião. Mas isso não impede que a gente tenha uma troca de ideias bacana. Nós podemos (e devemos) aprender com a fala do outro. Eu não estou exigindo que você acredite no que eu acredito. Nós podemos até discordar um do outro, mas nossa amizade não vai acabar por causa disso. A palavra é empatia. Se houver empatia e respeito, todo e qualquer assunto pode ser discutido numa conversa sem virar treta, gerando um crescimento pessoal que poderia levar anos pra acontecer.

Você não é menos que o outro só porque a sua fé é diferente da dele. Aliás, fé é igual opinião: cada um tem a sua (mesmo dentro da mesma religião!). Isso ocorre porque cada experiência de vida é única e diferentes indivíduos tem formas diferentes de pensar/acreditar.


Você não necessariamente tem menos fé só porque não participa de determinados eventos. Eu nunca fui de ir à missa de domingo. Em partes porque é um saco acordar cedo em pleno domingo, em partes porque não me identificava com as pessoas que frequentavam a missa. Isso fazia com que eu me sentisse inferior aos outros. Levou tempo pra assimilar que não é bem assim. Me sinto muito mais à vontade numa igreja vazia, é nesse momento em que eu realmente me sinto conectada a Deus. E eu não tenho obrigação nenhuma de ficar explicando isso pra quem acha que o correto é rezar numa igreja cheia.

Não basta ter fé. Não basta expressar sua fé. Você tem que procurar ser uma pessoa boa. Isso envolve perdoar, ajudar os outros, se colocar no lugar das outras pessoas (alô empatia), não julgar tanto e respeitar mais.  

Então, não assuste quando ver uma foto no meu Instagram com uma legenda bíblica. Saiba que eu estou apenas tentando te passar o mesmo sentimento bom que eu tenho ao ler aquela passagem, ao mesmo tempo em que me arrisco a aplicar o que está escrito ali na minha vida. No fim das contas, eu só desejo tudo de bom pra mim, pra você e pra todos nós.

E você, no que acredita?
Beijos,

            Duane.
logoblog

4 comentários:

  1. Que texto mais bonito, Duane! Adorei a forma que você abordou a fé. Eu sou uma pessoa que usa o rótulo ~católica não praticante~, mas acredito que existem diversas maneiras de expressar a nossa fé, exatamente como você disse.
    E concordo totalmente que respeito deve existir entre todos, não importando sua crença. Uma das coisas que mais me dá raiva é ver quando uma pessoa tenta diminuir a outra por conta da sua religião. Como você disse... Alô, empatia?! E não só quando o assunto é religião, mas qualquer outra área da vida. :)

    Um beijo! ♥
    www.daniquedisse.com.br

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    1. Existem sim!
      Pois é, menina, também não entendo essas coisas .-. Verdade, empatia, sempre.
      Obrigada, Dani ♥

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  2. Esse post ficou tão, mas tão maravilhoso que eu tô até sem palavras! <3 Eu, por ser agnóstica, fujo de assuntos religiosos e sinto que tenho um pouco mais de dificuldade de me relacionar com pessoas vivem na igreja e só falam de Deus, como boa parte da família do meu namorado. A diferença é que eles realmente são de impor a religião, sabe? Eles nem imaginam que eu não sigo religião nenhuma e, sinceramente, tenho até medo quando souberem... queria que todos tivessem a visão de fé que você tem, Du! Eu não tenho fé em um deus, mas tenho fé no amor e na empatia <3

    Beijos ♡
    misinwonderland.blogspot.com

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    1. Então, eu também ficava bem assustada com esse tipo de coisa, e foi aí que comecei a marinar esse assunto na cabeça e acabou virando esse post em plena sexta-feira santa. Na real, eu acho que vale muito mais uma pessoa agnóstica que trata o próximo bem do que uma pessoa religiosa que não sabe o significado de empatia. Recentemente eu descobri que o que a galera faz se chama religiosidade, esse é o nome dado pra quem começa a julgar quem não tem a mesma fé e faz da igreja mais um ponto de encontro do que de fé. Tem um vídeo da Fabiola Melo que ironiza isso (e olha que ela é evangélica!) https://www.youtube.com/watch?v=OPHIdBqezFo&t=35s e também tem um e é bem legal, vale a pena ver ;)
      Obrigada, Mis ♥

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